Iniciarei o texto com uma pedagogia (talvez não muito conhecida) que envolve Paulo Freire, a pedagogia do chinelo. Para isso, farei o mesmo exercício que ele provocou: Imagine você quando criança ou adolescente quando fez algo errado, qual foi a punição?
Nossos alunos passam por diversas situações assim como a sua imaginação provocou, elas podem ir de um diálogo maravilhoso a receber chineladas, cintadas, xingos e outras opressões. Essas opressões, na base da violência, é o que formam a pedagogia do chinela. Essas diferentes experiências compõem a sala de aula.
Lidamos com alunos ansiosos, abrigados, mal tratados, com carga de responsabilidade alta. Logicamente que aqui não irei fazer um texto sobre como deve ser a tratativa com os responsáveis (Você quer esse texto? Manda nos comentários). A ideia aqui é saber com quem estamos lidando. Qual é a trajetória daquele sujeito? E nós, devemos punir mais? O que é punir?
Para esse momento, traga à tona em seus pensamentos os seus alunos mais desafiadores, aqueles que você infelizmente chega questionar sua atuação ou que te fazem desacreditar nas novas gerações.
Vamos deixar claro: chamar atenção é diferente de punir. Punição é olhar apenas com raiva, não procurar entender o lado do estudante, ser sempre uma figura que pratica a pedagogia do chinelo com falas.
É evidente que temos alunos desafiadores, que retiram muitas vezes nossa vontade de ser professor, mas é aí que está o desafio: como chamar esse estudante para sua aula. Afinal, ignorar sua existência, é também ignorar uma experiência em sala.
Você vai perder a paciência diversas vezes, mas é importante lembrar de perguntar ao seu aluno “você está bem?” ou “Aconteceu alguma coisa?”. O seu conteúdo não precisa ser apenas um conteúdo pelo conteúdo, ele pode fazer sentido na vida daquele ou daquela que expressa tudo em forma de revolta.
A maior modificação das pessoas que são recém formadas está em querer salvar um mundo (que não sabemos mais se tem salvação), com o tempo parece que isso vai sendo retirado de nós e a pedagogia do chinelo começa a fazer mais sentido, afinal “nossa fulano merecida apanhar pra aprender”. Será?
Não percamos esse fervor em entender as realidades, não é preciso ser um idealista, mas um humano (inclusive passível de nem sempre conseguir suportar todas as pressões). Mais dicas, inquietações e problematizações de uma professora também perdida aparecerão por aqui! Espero você.
REFERÊNCIA
FREIRE, Paulo; GUIMARÃES, Sergio. Lições de casa: últimos diálogos sobre educação. São Paulo, 2011
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