Plano de aula: relação de amor e ódio
- Professores Perdidos
- 28 de jul. de 2024
- 3 min de leitura
Atualizado: 6 de ago. de 2024

Esse tema poderia facilmente começar com uma frase que o resume: “Muitos odeiam, outros tantos amam”. O planejamento de uma aula é o momento de parar, respirar e analisar as possibilidades para o futuro. Talvez seja até estranho estarmos em uma sociedade em que a ansiedade aumenta em nível desproporcional, mas os planejamentos perdem força. Escrevo isso, pois um fator da ansiedade (dentre tantos outros que a tornam uma doença grave e que deve ser tratada) é o excesso de preocupação com o futuro. O plano de aula acaba sendo justamente um documento que tranquiliza essas angustias.
Na graduação aprendemos, principalmente antes do estágio, que devemos fazer um plano de aula bem caprichado. Antes do momento dos estágios, fazemos planos para todas as aulas que serão ministradas. No meu caso, eram 12 planos (um para cada hora/aula).
O plano que aprendemos tende a ser formado das seguintes partes:
DATA
TURMA
OBJETIVO
OBJETIVO ESPECÍFICO
CONTEÚDO
PROBLEMATIZAÇÃO
DURAÇÃO
METODOLOGIA
RECURSOS DIDÁTICOS
AVALIAÇÃO
REFERÊNCIAS
Esse modelo pode ser usado por você! Ele é eficaz, aborda tudo que um professor precisa para elaborar uma aula. Porém, ouso dizer que ele é um ideal. Para você que está começando e está perdido, vem comigo entender melhor essa reflexão!
O plano de aula ideal exige do professor uma coisa que nem sempre é fornecida a nós: tempo. As horas atividades tendem a ser muito curtas para a demanda de aulas. Você pode realizar o trabalho em casa (por amor, como sempre fazemos, isso contém ironia), mas mesmo assim você precisa viver e descansar. Depois de um dia com 7, 8, 9, 10 aulas não há cabeça que aguente formular um plano.
Então qual é a saída? Você que está lendo, está perdido, está começando... Existe uma empolgação revigorante em dar conta de tudo, sendo perfeito igual você aprendeu que deveria. Ou então um medo por estar se sentido desorganizado com tanta demanda. Indico que esses sentimentos são comuns, mas que podemos organizá-los em certa medida.
Nós podemos fazer uma aula sem um plano de aula. Muitos professores vão trazer que não fazer o plano não é uma escolha, mas a única saída. Isso porque não sobra tempo para fazer planos e realizá-los é uma tarefa impossível. Ou então que é um “papel” que nem se usa para nada depois, porque na hora da aula tudo acontece de forma diferenciada. Esses argumentos existem e as inquietações são legitimas. Porém, o(a) professor(a) precisa estar a par das consequências de não usar um plano de aula. Essas consequências poderão ser vistas observando as vantagens em seu uso.
O plano de aula permite uma segurança ao professor(a), mas em que sentido? Você vai pronto para a sala de aula com todos os pontos daquilo que deseja promover, inclusive na ordem. Você desprendeu um tempo para organizar a melhor ordem daquilo que será problematizado em sala. Ok, só que na aula tudo pode mudar! E ai? Você ainda estará pronto! Porque quando organizamos um plano de aula não devemos apenas fazer tópicos do que será a aula. Nós devemos imaginar!
Sim! Imagine sua sala, seus alunos, você, tudo! Faça um plano de aula imaginando cada passo da aula, calculando o tempo e as possibilidades que podem surgir cada passo da aula. Assim, você programa possíveis saídas para problemas que podem aparecer.
Estudar, imaginar, escrever aquele plano gigantesco... missão impossível você deve estar pensando. Eis que eu digo: sua primeira tarefa é planejar o seu plano de aula. Monte um plano de aula que seja eficiente para o seu tempo e organização. Vou dar o exemplo do meu:
TURMA
DATA
OBJETIVO
CONTEÚDO
METODOLOGIA
Essa tarefa permite adequar sua realidade com os ensinamentos metodológicos. É o ideal? Não. Em um país em que os professores não são valorizados, essas adaptações se fazem necessárias e quanto antes você souber disso melhor. É evidente que eu, e acredito que todo professor, gostaria de produzir planos de aula alinhados com o primeiro modelo que mostrei, mas com que tempo?
O planejamento, mesmo que mínimo, é essencial para podermos alinhar o tempo, o conteúdo, os materiais, aquilo que precisamos estudar mais... Mesmo que ele possa parecer algo muito trabalhoso, vale a pena executá-lo (mesmo que minimamente).
Crie seu plano se for possível, começamos daí. Mais dicas, inquietações e problematizações de uma professora também perdida aparecerão por aqui! Espero você.
Obs.: Para você que faz planos no modelo da instituição que trabalha, ou seja, não pode haver mudanças. Logo mais vem texto para você!
Publicado dia 30 de julho de 2024
Por Daniela Melo Rodrigues





Comentários